De início calei-me por medo do que pensariam os outros ao notarem minhas fragilidades, meu eu desarmado, o que havia por trás do olhar vago. Depois, com o passar dos anos – e a perda da inocência – percebi que se eu pudesse me virar do avesso em plena praça poucos enxergariam – ver é fácil, enxergar exige esforço – porque são raras as pessoas que se interessam pela massa sentimental de que as almas são feitas. Hoje, assumo o rótulo: sou introspectiva sim. O silêncio me ensinou que nem todos querem saber por que você caiu, por que você chegou no fim da estrada, o que você pensa antes de dormir. O silêncio pode ensinar muitas coisas, muito mais do que o eco das palavras desperdiçadas ao serem ditas para alguém que não ouve. Enfim e por fim calei-me pra ver quem quer saber de mim.