7 de janeiro de 2012

Cecília Meireles

Pergunto-te onde se acha a minha vida. 
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada 
de uma verdade minha bem possuída. 

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada. 

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida 
por esperanças hereditárias? E de cada 
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa 
que envolve a posição dos olhos de quem pensa. 

Já não sei mais a diferença 
de ti, de mim, da coisa perguntada, 
do silêncio da coisa irrespondida. 

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